sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Dor do Mundo

    Li recentemente na revista veja um texto da escritora Lya Luft, sobre alguns acontecimentos e realmente faz todo o sentido.
    De maneira tímida e inútil, também tive certa aversão ao que aconteceu e acontece no dia-a-dia, porém não fiz se não lamentar e escrever esta postagem. Infelizmente a angústia referida pela nossa escritora abaixo, ainda me consome.
Certa revolta de nada adianta senão me degradar dia após dia. Tenho passado ultimamente somente me lamentando do que não deu certo, seja por minha incompetência, seja pela incompetência alheia, mas o comodismo que me assola me faz ficar estático, olhando o bonde passar e não fazer absolutamente nada....




    Lya Luft é escritora e nasceu em Santa Cruz do Sul no Rio Grande do Sul, tem como obras:

No Brasil:

- Canções de Limiar, 1964
- Flauta Doce, 1972
Matéria do Cotidiano, 1978
As Parceiras, 1980
A Asa Esquerda do Anjo, 1981
Reunião de Família, 1982
O Quarto Fechado, 1984
- Mulher no Palco
, 1984
- Exílio, 1987
O Lado Fatal, 1989
- O Rio do Meio
, 1996
Secreta Mirada, 1997
O Ponto Cego, 1999
- Histórias do Tempo, 2000
- Mar de dentro, 2000
(Todos os livros foram publicados pelas Edições Siciliano e Mandarim, São Paulo - SP)

Perdas e ganhos, 2003 - Editora Record
No exterior:

- The Island of the Dead (O Quarto Fechado), E. U. A.


Os dados acima foram obtidos em livros da autora, páginas da Internet e em artigo publicado por Álvaro Alves de Faria, jornalista, poeta e escritor.






Mas vamos ao texto na íntegra:

A dor do mundo, por Lya Luft

Por muito tempo achei - escrevi e disse - que os males humanos foram sempre mais ou menos os mesmos, e que a loucura toda já contamina o nosso café da manhã da manhã pelo universo cibernético. As aflições, as malandragens, as corrupções, os assassinatos absurdos, os piores aleijões morais, tudo é meu, seu, nosso pão de cada dia. Mas de tempos para cá, comecei a achar que era lirismo sentimental meu. Estamos bem piores, sim. Por sermos mais estressados, por termos valores fracos, tortos ou nenhum, porque estamos incrivelmente fúteis e nos deixamos atingir por qualquer maluquice, porque até nossos ídolos são os mais transtornados, complicados. Nossos desejos não têm limite, nossos sonhos, por outro lado, andam ralinhos. Temos manias de gourmet, mas não podemos comer. Vivemos mais tempo, mas não sabemos o que fazer com ele. Podemos ter mais saúde, mas nos intoxicamos em excesso de remédios. Drogas habituais não bastam, então usamos substâncias e doses cavalares.
    A sexualização infantil é um fato e começa em casa com mães amalucadas e programas de televisão pornográficos a qualquer hora do dia.


O endeusamento da juventude a enfraquece, os adolescentes lidam sozinhos com a explosão de seus hormônios e a permissividade geral que anula limites e desorienta.


A pressão social e até a insistência de governantes nos impõem o deus consumo, que nos deixa contentes até as primeiras, segundas, definitivas dívidas baterem à porta: a gente abre, e está atolado até o pescoço.
    Uma cantora pop, que me desinteressava pela aparência e por algumas músicas, morre, mata-se, por uso desmedido de drogas ( álcool sendo uma delas) aos 27 anos. Logo se exibe (quase com orgulho, ou isso já é maldade minha?) uma lista de brilhantes artistas mortos na mesma idade pela mesma razão. Nas homenagens que lhe fazem, de repente escuto canções lindas, com uma voz extraordinária: mais triste ainda, pensar que esse talento se perdeu. Um louco assassino prepara e executa calmamente a chacina de dezenas de crianças e adolescentes num acampamento em ilha paradisíaca das terras nórdicas, onde o índice de desenvolvimento humano é o maior do planeta, e quase não existe a violência, que por estas bandas nos aterroriza. Explode edifícios, depois vai para a ilha, mata todo mundo, confessa à polícia que fez coisas atrozes mas que "era necessário", e que não aceitará a culpa.
    Viramos assassinos ao volante, de preferência bêbados. Nossos edifícios precisam ter portarias treinadas como segurança, nossas casas, mil artifícios contra invasores, andamos na rua feito coelhos assustados. Não há lugar nas prisões, então se solta a bandidagem, as penas são cada vez mais brandas ou não há pena alguma. Pena temos nós, pena por nós, pela tão espalhada dor do mundo. Sempre falando em trilhões, brigando por quadrilhões, diante da imagem das crianças morrendo de fome na Etiópia, na Somália e em outros países, tão fracas que não têm mais força para engolir o mingau que alguma alma compadecida lhes alcança: a mãe observa apática as moscas que pousam no rostinho sofrido. Estou me repetindo, eu sei, talvez assim alivie um pouco a angústia da também repetida indagação: que sociedade estamos nos tornando?
    Eu, recolhida na ponta inferior deste país, sou parte dela e da loucura toda: porque tenho alguma voz, escrevo e falo, sem ilusão de que adiantará alguma coisa. Talvez, como na vida das pessoas esta seja apenas uma fase ruim da humanidade, que conserva fulgores da solidariedade e beleza. Onde não a  matamos, a natureza nos fornece material de otimismo: uma folha de outono avermelhada que a chuva grudou na vidraça, a voz das crianças que estão chegando, uma música que merece o termo "sublime", gente honrada e produtiva, ou que cuida dos outros. Ainda dá para viver neste planeta. Ainda dá para ter esperança de que, de alguma forma, algum dia, a gente comece a se curar enquanto sociedade, e a miséria concreta não mate mais ninguém, enquanto líderes mundiais brigam por abstratos quatrilhões.




Referência: texto extraído da Revista Veja de 3 de Agosto de 2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Palco Para o Sorteio da Copa

 Recebi um e-mail sobre o Palco do Sorteio da Copa do Mundo de 2014, resolvi colocar no blog, pois sou contra a realização deste evento no Brasil, tudo pelo gasto envolvido, com construção de estádios, reformas de outros  e tantas coisas a serem feitas em vários âmbitos como: saúde, transporte, emprego, reformas tributárias, etc...
O Pior é que assisti o sorteio da copa e nem sequer pensei nisto, talvez por ser futebestificado ....


Não sei quem é a autora deste texto, mas agradeço a minha amiga Kátia Rodrigues que me enviou este e-mail e claro... já repassei...


Vamos ao texto abaixo:


Que pouca vergonha!
A que descalabro o PT reduziu este país!
Pobre Rio de Janeiro, cheio de deficiências
e vê o dinheiro ser jogado no vaso sanitário!
E quem está relatando isto é
uma carioca fervorosa!




O palco montado no Hell de Janeiro para fazer a "festa" do sorteio dos jogos para a Copa do mundo de 2014 custou aos cofres do estado "mais rico" da federação a baba de, R$ 30.000.000,00 (TRINTA MILHÕES DE REAIS).

vejam que a festa irá durar umas poucas horas em apenas um dia. 
Esse é o reflexo de um país rico e irresponsável, gastar 30 milhetas para fazer um sorteio vai mostrar ao mundo não é a nossa capacidade em promoção de eventos, mas sim a irresponsabilidade e a ganância corrupta que os governantes brasileiros tem com o dinheiro público. 

É muita arrogância de um povo que morre na fila dos hospitais públicos por falta de atendimento médico e de um país que tem que distribuir comida grátis para grande parte da sua população não morrer de fome porque não existem investimentos nas regiões mais pobres que garanta a criação da cidadania.

Enquanto o governo do Hell de Janeiro gasta MILHÕES na promoção desse baita circo para um povo idiotizado pelo futebol. A região Serrana do estado continua soterrada sem o auxilio oficial, e o pouco de recursos que foram enviados à região simplesmente desapareceram na corrupção e ladroagem.

O pior é que o comite organizador do evento disse à imprensa que o alto custo dessa palhalçada foi para atender as "exigências" da FIFA. E também é que a "festa" será transmitida para mais de duzentos países.

Sabemos que a corrupção no Hell e no Brasil é endêmica e geométrica, e a neta do João Havelange, é a chefe do bando organizador. Coincidência não?

30 Milhões que poderiam ser gastos em escolas, segurança pública, na saúde, e principalmente na reconstrução da Região Serrana do estado.

Sabemos também que uma festa desse porte feita em um país sério custaria muito menos da metade do que foi gasto, mas isso é Brasil!!!!

Sinceridade, acordar pela manhã e ler uma notícia dessas é para perder as esperanças neste país.

E o povo vai estar lá, em peso, festejando o fato de serem roubados e feitos de idiotas todos os dias da vida. Protestar, jamais.

E o mais idiota, é ler que a construção do palco está "abusando" da Brasilidade.
Na minha visão "abusar" da brasilidade é: superfaturar, desviar, roubar, se meter a besta, e sofrer de arrogância galopante. 

O Brasil quer mais uma vez mostrar ao mundo a grandiosidade do povo de uma pequenês impressionante.

E tome Ivete Sangalo para "rolar" a festa!!!!

ISSO É UMA VERGONHA!!!!! 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Dona Cida

Bom, hoje me deparei com uma situação triste, minha mãe começa a ter depressão...
Diz que foi feliz quando trabalhava nas indústrias: Têxteis e Farmaco Quimica.
Certa vez disse que lá nos anos 50 quando trabalhava na Tecelagem e "tocava" dois teares, trazia consigo uma vontade de ajudar seus pais, pois na época seus irmãos eram pequeninos e ela como a mais velha dos filhos de meus avós, foi trabalhar...
Ia mal na escola devido ao problema de visão que sempre teve, mas não sabia, ou se sabia tinha medo de contar pois na época meus avós não tinham condição de comprar óculos.
Na indústria Têxtil, conseguia operar dois teares e como ganhavam por produção, operando dois teares se ganhava mais, mas ainda era pouco. Certa vez conversou com seu chefe para um aumento de salário, mas nada feito, outrora conseguiu uma vaga em uma indústria de remédios e foi trabalhar lá...
Minha mãe sempre foi uma mulher dedicada aos filhos e eu não tenho como reclamar, apesar de ser super protetora, fato este que me segurou muito na vida, porém nada de que não pudesse mudar...
Minha mãe?   Dona Cida....
Tenho hoje a satisfação de fazer caminhadas com ela diariamente, digo até um privilégio....