
No dia 8 de setembro de 2009 postei uma visão sobre os Pilares das Soluções Logísticas, estes Pilares podem ser utilizados em vários ramos da administração, com tudo, há de saber que existem várias escolas administrativas e que todas visam o crescimento da empresa como um todo. Portanto não deve ser visto como uma crítica, mas como uma solução.
Abaixo segue a descrição destes Pilares comentado em setembro:
1. Gestão de Pessoas: Equipes bem organizadas, preparadas, motivadas e comprometidas ajudarão o gestor no tratamento dos outros três pilares das soluções logísticas: processos, infra-estrutura e tecnologia. Ao formar a equipe, o gestor de logística deve procurar pessoas adequadas para cada função, através da avaliação comportamental e técnico-funcional do cargo. O tempo gasto no processo seletivo é investimento e trará colaboradores aptos a contribuir na definição e execução das melhorias necessárias. O gestor deve manter uma comunicação ativa e regular com o seu pessoal. Equipes bem informadas tomam decisões corretas e de acordo com a cultura e os valores da organização. A reciclagem dos conhecimentos do time é outro fator fundamental. Vale fazer uso de treinamentos, palestras, leituras e visitas técnicas. Uma vez que o gestor forme uma equipe adequada, bem informada e devidamente treinada é chegada a hora de delegar. Pois sozinho ninguém faz nada, não há registro de exércitos de um homem só e nem de “super-homens”.
Em resumo, devemos escolher bem as pessoas, pois, estas deverão ser detentoras do comprometimento, parceria, união e perseverança.
2. Gestão de Processos : Ao avaliar os processos-chave da área de logística, sugere-se identificar aqueles que não agregam valor ou que são repetidos por várias pessoas dentro da empresa. É comum termos que preencher um controle que foi criado no passado, mas que ninguém mais utiliza. Não menos raro, encontramos informações lançadas em duplicidade por diferentes pessoas da organização. Devemos estabelecer métricas para cada processo, fazer mensurações regulares e comparar os resultados obtidos com metas e com as melhores práticas do mercado (Benchmark). Aqueles processos com indicadores de desempenho fora de controle devem ser alvo de análise e de ações corretivas. É fundamental avaliar se os resultados de cada processo atendem ou superam as expectativas dos clientes internos e externos da empresa. Situações de insatisfação devem ser tratadas com atenção e solucionadas com rapidez. É no momento da avaliação de processos que devemos ponderar se alguma das iniciativas utilizadas na gestão logística se aplica, como o just in time, o milk run, o kanban, o B2B, o SOP, o MPS, o APS e o CFPR, entre outras.
3. Infra-estrutura : Infra-estrutura é outro elemento fundamental na análise e resolução dos problemas logísticos. Temos a equipe mais adequada para a execução das atividades e os processos estão bem desenhados e alinhados, mas quando chega a hora de executá-los faltam empilhadeiras e os depósitos não são funcionais ou não têm as dimensões suficientes para atender a demanda. Isso sem falar nos crônicos problemas brasileiros de infra-estrutura.A logística é extremamente dependente de organização. É necessário que cada coisa tenha o seu lugar certo e adequado. É importante que cada serviço disponha dos equipamentos apropriados e em boas condições de uso. Imagine um tradicional final de mês, 30% do faturamento acontecendo nos três últimos dias e a única empilhadeira da empresa quebra. Essa é uma situação que nenhum gestor de logística gostaria de enfrentar, logo, devemos cuidar da manutenção preventiva dos equipamentos e, quando possível, ter backups para as máquinas mais críticas.
4. Gestão Tecnológica : Com os primeiros três pilares atendidos, é hora de atuar na tecnologia e buscar as ferramentas que tornarão os processos mais rápidos, enxutos e confiáveis. Imagine gerenciar um depósito com centenas de skus sem um WMS (Warehouse Management System). Ou ainda controlar fretes de dezenas de transportadoras sem um TMS (Transportation Management System). Sem esses sistemas, seria necessário diversas atividades manuais, uma grande quantidade de tempo e o envolvimento de muita gente. E tudo sem garantia alguma de que os resultados serão satisfatórios. Graças a tecnologia, além das ferramentas citadas, podemos contar ainda com simuladores para suporte na identificação, avaliação e comparação de alternativas operacionais.Mas quando falamos de tecnologia, devemos pensar também em automação. Nesse item relaciona-se as esteiras transportadoras, os robôs de paletização, os sorters e os trans-elevadores, entre outros. É quase impossível imaginar a Natura atendendo pedidos fracionados de suas mais de 600 mil consultoras de vendas sem o auxílio de separadores automáticos. Já a Infraero, por exemplo, para atender a movimentação de mais de 1,2 milhão de tonelada de carga aérea ao ano, utiliza, em vários de seus depósitos, sistemas de trans-elevadores controlados por eficientes sistemas de WMS, reduzindo o tempo de operação e aumentando significativamente sua precisão.Procure sempre automatizar as atividades repetitivas, que costumam retardar os resultados da empresa e nas quais os investimentos feitos apresentem retornos rápidos. Informe-se das tecnologias disponíveis no mercado e veja se uma delas se aplica a alguma necessidade da sua empresa. Avalie, busque referências, verifique a capacidade de investimento, calcule o retorno financeiro e, se tudo for positivo, implante.
Conclusões: Execute essa seqüência a todo o momento, pois o que era bom ontem, não necessariamente será bom amanhã. Imagine que estamos falando do ciclo PDCA, que inclusive pode ser aplicado a cada uma das etapas.
A sinergia dos quatro pilares propostos potencializará as chances de sucesso das ações de melhoria aplicadas à área de logística. Pensar nesses quatro elementos evitará que suntuosos investimentos em tecnologia sejam desperdiçados por incapacidade de operação ou inadequação dos processos. E como já dizia Jack Welch em seu livro “Paixão por Vencer”: “Não raro gestores perdem muito tempo no início da crise, negando a própria crise”, ao que o autor mesmo sugere “Pule esta fase”.
Referência bibliográfica
Por Neverton Timm - Publicado no jornal: Portos & Comércio Exterior (abril/2007).
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